Antropologia Sensorial: A Política e a Poética do Sentir
“O homem só toma consciência de si através do sentir. O corpo é o lugar de nossa inscrição no mundo, a raiz de nossa identidade e o fundamento de nossa relação com os outros.”
PROPOSTA: Este curso é um convite para desaprender a percepção como um dado biológico e descobri-la como uma prática cultural. Desafiamos a noção de que somos receptores passivos para para refletir sobre a ideia de que perceber o mundo é um hábito afinado pela cultura. Ao deslocar o foco da razão abstrata para o corpo vivido, o curso investiga como as tecnologias, as hierarquias sociais e o ritmo da vida moderna moldam nossa capacidade de sentir, conhecer e existir.
CONTEÚDO: Investigaremos a genealogia das hierarquias sensoriais, a política dos odores e ruídos e compararemos diferentes cosmologias sensoriais. Refletiremos sobre a anestesia sensorial da vida moderna, a digitalização da experiência física e a poluição sensorial urbana. Discutiremos métodos de etnografia sensorial, a ética do toque, o paladar como linguagem e o olfato como marcador de memória. O percurso culmina em uma reflexão sobre a necessidade de "reencarnar" a presença em um mundo saturado por simulacros.
FORMA: O curso equilibra discussões teóricas, experimentações sensoriais e estudos de caso.
FORMATO: 30 horas divididas em 10 encontros online e ao vivo.
PLANO DE AULAS
Aula 1: Nada do que Você Sente é Natural | Cultura, corpo e a invenção do sensorium.
Introduzimos a premissa de que a percepção é um ato cultural. Discutiremos como cada sociedade define sua própria "razão sensorial", estabelecendo o que é perceptível e o que é ignorado. Analisaremos o conceito de sensorium como a arquitetura invisível que organiza nossa experiência de mundo.
Aula 2: A Anestesia da Modernidade | Digitalização, saturação e o empobrecimento do sensível.
Investigaremos como a vida moderna produz uma "dormência sensorial". Do excesso de estímulos digitais à sintetização de sabores e aromas, discutiremos como a mediação pelas telas e a poluição sensorial das cidades nos desconectam da profundidade da experiência corporal. O foco aqui é o conceito de anestesia social: quando o excesso de informação resulta em falta de sensação.
Aula 3: O Sensorial é Político | Poder, controle e as hierarquias do sentir.
Discutiremos como as hierarquias sensoriais reforçam desigualdades. O que é considerado "sujeira", "barulho" ou "mau gosto" é usado para marcar fronteiras de classe, raça e gênero. Analisaremos como o controle dos sentidos é uma ferramenta de normatização de corpos e territórios.
Aula 4: Aprender com o Corpo | Etnografia sensorial como método de "sentir junto". Como pesquisar o que não pode ser apenas visto? Apresentaremos a etnografia sensorial como uma alternativa ao modelo verbocêntrico de pesquisa. Veremos como o pesquisador pode usar o próprio corpo como instrumento, deixando-se afetar pelos sons, cheiros e ritmos do campo para produzir um conhecimento corporificado.
Aula 5: O Império da Visão | Visualismo, vigilância e a transformação do mundo em espetáculo.
Analisaremos por que a visão se tornou o sentido "mestre" do Ocidente, associado à razão e à objetividade. Discutiremos o "olhar turístico" e como a obsessão por registrar e enquadrar a realidade em imagens consome a nossa capacidade de estar verdadeiramente presentes.
Aula 6: Paisagens Sonoras e Cosmologias Acústicas | O som como arquiteto da memória e do pertencimento.
O som não é pano de fundo; ele organiza o espaço. Exploraremos como diferentes culturas habitam o mundo através do ouvido. Discutiremos o conceito de paisagem sonora e como o som pode tanto gerar coesão comunitária quanto ser usado como arma de controle e desconforto (ruído).
Aula 7: A Pele que nos Habita | Tato, proximidade e a ética do contato.
A pele é a fronteira entre o eu e o outro. Nesta aula, refletiremos sobre a regulação cultural do toque e como a "fome de pele" na era digital impacta nossa saúde mental e nossas relações. Pensaremos o tato como uma ética do cuidado e da vulnerabilidade.
Aula 8: Cheiros que Marcam a Vida | Olfato, memória e rituais de passagem.
O olfato é o sentido da permanência e da emoção bruta. Investigaremos como os odores participam da construção de noções de pureza, perigo e pertencimento. Analisaremos a "política do cheiro" em rituais e na organização higienista das cidades modernas.
Aula 9: O Gosto Não é Pessoal | Comer como prática cultural e linguagem sensorial.
O paladar é a forma mais profunda de absorver uma cultura. Abordaremos a comensalidade como um sistema de valores. Comer junto é partilhar uma cosmologia; sabores comunicam histórias, memórias e identidades que definem quem somos e a quem pertencemos.
Aula 10: Reencantar os Sentidos | Ancestralidade, presença e a retomada do corpo vivo.
Finalizamos com um chamado à ação. Como desvencilhar-se da abstração tecnológica para ouvir o "murmúrio do mundo"? Propomos o reencantamento dos sentidos como uma forma de resistência política e existencial, restituindo ao corpo o seu papel central na habitação ética do planeta.
LOCAL | Online, ao vivo, via VÍDEO CONFERÊNCIA (as aulas são gravadas para garantir que você não perca nada.)
QUANDO | de 05 de maio a 04 de junho de 2026, segundas e quartas das 19h às 22h.
INVESTIMENTO | R$ 1.880 (Curso completo) / R$ 400 (Aula avulsa)